Maria decide vender sua mobília para Viviane, sua colega de trabalho. A alienante decidiu desfazer-se de seus móveis porque, após um serviço de dedetização, tomou conhecimento que vários já estavam consumidos internamente por cupins, mas preferiu omitir tal informação de Viviane. Firmado o acordo, 120 dias após a tradição, Viviane descobre o primeiro foco de cupim, pela erupção que se formou em um dos móveis adquiridos. Poucos dias depois, Viviane, após investigar a fundo a condição de toda a mobília adquirida, descobriu que estava toda infectada. Assim, 25 dias após a descoberta, moveu ação com o objetivo de redibir o negócio, devolvendo os móveis adquiridos, reavendo o preço pago, mais perdas e danos. Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
28º Exame · questão 38
Direito Civil · Contratos em Espécie
28º Exame · questão 38Direito Civil
Gabarito comentado
Resposta correta: A — A demanda redibitória é tempestiva, porque o vício era oculto e, por sua natureza, só podia ser conhecido mais tarde, iniciando o prazo de 30 (trinta) dias da ciência do vício.
Tratando-se de vício oculto que só podia ser conhecido mais tarde, o prazo decadencial de 30 dias para bens móveis conta-se do momento da ciência do defeito, e não da tradição, sendo tempestiva a ação ajuizada 25 dias após a descoberta.
Por que as outras estão erradas
- B) A alternativa inverte a lógica do sistema: cabe ao adquirente escolher entre a ação redibitória e a quanti minoris, não havendo obrigatoriedade de optar pelo abatimento quando o vício é sanável.
- C) As perdas e danos são cabíveis quando o alienante tinha conhecimento do vício, como ocorreu no caso, pois Maria sabia da infestação e a omitiu dolosamente, respondendo também por elas além da restituição do preço.
- D) A regra do prazo de 90 dias contados da tradição para vícios de conhecimento tardio aplica-se a bens imóveis, e não a bens móveis, cujo prazo total é de 180 dias da tradição.
Fundamento: art. 445, §1º, do CC
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