Joana doou a Renata um livro raro de Direito Civil, que constava da coleção de sua falecida avó, Marta. Esta, na condição de testadora, havia destinado a biblioteca como legado, em testamento, para sua neta, Joana (legatária). Renata se ofereceu para visitar a biblioteca, circunstância na qual se encantou com a coleção de clássicos franceses. Renata, então, ofereceu-se para adquirir, ao preço de R$ 1.000,00 (mil reais), todos os livros da coleção, oportunidade em que foi informada, por Joana, acerca da existência de ação que corria na Vara de Sucessões, movida pelos herdeiros legítimos de Marta. A ação visava impugnar a validade do testamento e, por conseguinte, reconhecer a ineficácia do legado (da biblioteca) recebido por Joana. Mesmo assim, Renata decidiu adquirir a coleção, pagando o respectivo preço. Diante de tais situações, assinale a afirmativa correta.
30º Exame · questão 35
Direito Civil · Contratos em Espécie
30º Exame · questão 35Direito Civil
Gabarito comentado
Resposta correta: A — Quanto aos livros adquiridos pelo contrato de compra e venda, Renata não pode demandar Joana pela evicção, pois sabia que a coisa era litigiosa.
Como Renata sabia da existência de litígio sobre a coisa (biblioteca) antes de contratar a compra da coleção de livros franceses, e o bem era litigioso, ela não pode invocar a evicção quanto a esse contrato de compra e venda, pois a ciência do risco afasta a garantia.
Por que as outras estão erradas
- B) O livro raro foi transmitido por doação anterior, sem relação com o litígio dos herdeiros sobre a biblioteca legada a Joana, de modo que não há evicção envolvendo esse bem específico nos termos narrados; o erro está em vincular a doação do livro à garantia da evicção quando o enunciado trata da compra da coleção como o negócio afetado pela ciência do risco.
- C) A informação prestada não configura cláusula de reforço da garantia, mas sim ciência do adquirente sobre o risco, o que tem o efeito oposto: afasta o direito à evicção, não o reforça.
- D) O contrato entre Renata e Joana foi de compra e venda (aquisição da coleção mediante preço), e não gratuito; a doação foi um negócio anterior e distinto, relativo apenas ao livro raro.
Fundamento: art. 457 do CC
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