Ricardo foi pronunciado pela suposta prática do crime de homicídio qualificado. No dia anterior à sessão plenária do Tribunal do Júri, o defensor público que assistia Ricardo até aquele momento acostou ao processo a folha de antecedentes criminais da vítima, matérias jornalísticas e fotografias que poderiam ser favoráveis à defesa do acusado. O Ministério Público, em sessão plenária, foi surpreendido por aquele material do qual não tinha tido ciência, mas o juiz presidente manteve o julgamento para a data agendada e, após o defensor público mencionar a documentação acostada, Ricardo foi absolvido pelos jurados, em 23/10/2018 (terça- feira). No dia 29/10/2018, o Ministério Público apresentou recurso de apelação, acompanhado das razões recursais, requerendo a realização de novo júri, pois a decisão dos jurados havia sido manifestamente contrária à prova dos autos. O Tribunal de Justiça conheceu do recurso interposto e anulou o julgamento realizado, determinando nova sessão plenária, sob o fundamento de que a defesa se utilizou em plenário de documentos acostados fora do prazo permitido pela lei. A família de Ricardo procura você, como advogado(a), para patrocinar os interesses do réu. Considerando as informações narradas, você, como advogado(a) de Ricardo, deverá questionar a decisão do Tribunal, sob o fundamento de que
31º Exame · questão 64
Direito Processual Penal · Procedimentos e Rito do Júri
31º Exame · questão 64Direito Processual Penal
Gabarito comentado
Resposta correta: C — não poderia o Tribunal anular o julgamento com base em nulidade não arguida, mas tão só reconhecer, se fosse o caso, que a decisão dos jurados era manifestamente contrária à prova dos autos.
O Tribunal só pode anular o julgamento pelo júri com base em nulidade efetivamente arguida e apta a ensejar tal consequência; não sendo essa a matéria do recurso do Ministério Público, que se fundou em decisão manifestamente contrária à prova dos autos, o Tribunal não poderia inovar e decretar nulidade não suscitada nas razões recursais.
Por que as outras estão erradas
- A) Existe vedação legal expressa quanto à juntada extemporânea de documentos em plenário, sendo necessário respeitar o prazo mínimo de antecedência para juntada de documentos que serão utilizados em plenário.
- B) Reconhecida a nulidade do julgamento pelo Tribunal do Júri, a competência para o novo julgamento permanece do Tribunal do Júri, em respeito à competência constitucional para julgamento dos crimes dolosos contra a vida, não podendo o Tribunal de Justiça julgar diretamente o mérito.
- D) O recurso de apelação foi interposto dentro do prazo legal de cinco dias contados da publicação da sentença, não havendo intempestividade a ser reconhecida.
Fundamento: art. 593, III, CPP
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