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36º Exame · questão 67

Direito Processual Penal · Competência

36º Exame · questão 67Direito Processual Penal

O prefeito do Município de Canto Feliz, juntamente com o juiz estadual e o promotor de justiça, todos da mesma comarca (Art. 77, inciso I, do CPP), cometeu um crime contra a administração pública federal - interesse da União -, delito que não era de menor potencial ofensivo e nem cabia, objetivamente, qualquer medida penal consensual. Todos foram denunciados pelo Ministério Público federal perante a 1ª Vara Criminal da Justiça Federal da correspondente Seção Judiciária. Recebida a denúncia, a fase probatória da instrução criminal foi encerrada, sendo que o Dr. João dos Anjos, que era advogado em comum aos réus (inexistência de colidência de defesas), faleceu, tendo os acusados constituído um novo advogado para apresentar memoriais (Art. 403, § 3º, do CPP) e prosseguir em suas defesas. Nessa fase de alegações finais, somente há uma matéria de mérito a ser defendida em relação a todos os réus, que é a negativa de autoria. Todavia, antes de adentrar ao mérito, existe uma questão preliminar processual a ser suscitada, relativa à competência, e consequente arguição de nulidade. Como advogado(a) dos réus, assinale a opção que indica como você fundamentaria a existência dessa nulidade.

Gabarito comentado

Resposta correta: DO processo é nulo, por ser o juízo absolutamente incompetente. Em relação ao Prefeito do Município de Canto Feliz, o processo deverá ser remetido a uma das Turmas do Tribunal Regional Federal da respectiva Seção Judiciária, sendo reiniciado a partir do recebimento da denúncia. Em relação ao Juiz estadual e ao Promotor de Justiça, há nulidade por vício de incompetência absoluta, com a necessidade de desmembramento do processo, devendo ser reiniciado para ambos a partir do recebimento da denúncia, sendo de competência do Tribunal de Justiça do respectivo Estado da Federação. 18 PROVA APLICADA

Há incompetência absoluta em razão da prerrogativa de função: o prefeito deve ser julgado pelo TRF (por se tratar de crime federal) e o juiz estadual e o promotor pelo TJ, exigindo desmembramento do feito e reinício do processo desde o recebimento da denúncia para cada grupo de acusados, conforme o respectivo foro por prerrogativa de função.

Por que as outras estão erradas

  • A) A incompetência é absoluta, e não relativa, por decorrer de prerrogativa de função constitucionalmente estabelecida, não se aproveitando os atos instrutórios praticados por juízo incompetente.
  • B) O prefeito não tem foro no Tribunal de Justiça quando o crime é de competência federal, sendo processado perante o TRF, e não cabe unificar todos os réus em um único foro estadual.
  • C) Também aqui a incompetência é absoluta, não relativa, e o prefeito, por praticar crime federal, não se submete ao foro do Tribunal de Justiça, sendo indevido reunir todos no mesmo órgão jurisdicional estadual.

Fundamento: art. 564, I, do CPP

Comentário gerado por IA a partir do gabarito oficial da FGV. Confira o dispositivo antes de usar como fonte.

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